Com a Emenda Constitucional 141/2026 promulgada, quem trabalha em escala 6×2, 5×1 ou 4×2 pergunta a mesma coisa: minha folga muda? Essas escalas são comuns na indústria, na segurança e em serviços, e não se encaixam direto no modelo “5 dias de trabalho e 2 de descanso”.
Neste artigo da série sobre escalas, mostramos como é a rotina hoje, o que o texto aprovado diz e o que ainda depende de regulamentação. Os horários e valores são exemplos para facilitar a conta.
Contexto: o que a emenda aprovou
O Senado aprovou a PEC 221/2019 em dois turnos, por 75 votos a 1, em 14 de outubro de 2026, e o Congresso promulgou a emenda em seguida. O texto fala em dois dias de descanso por semana, de preferência um deles no domingo, e em jornada máxima de 40 horas semanais, com até 8 horas por dia.
A mudança é gradual: em cerca de 60 dias, a jornada cai de 44 para 42 horas, e depois de mais ou menos 12 meses chega a 40 horas. As datas exatas dependem da publicação oficial. O texto também veda a redução de salário por causa da mudança.
Acordos e convenções coletivas podem ajustar a distribuição da jornada e as compensações. Pontos de setores específicos, segundo o relator, ainda precisam de regulamentação do Congresso. Por isso, em tudo o que for escala diferente da 5×2, vale a cautela do “em regra”.
(Foto: Kuan-yu Huang / Pexels)
O que muda: antes x depois
A conta de dias no mês (usando 30 dias) mostra por que essas escalas geram dúvida. Os números abaixo são aproximados e valem para um ciclo completo.
| Item | Hoje (antes) | Depois do fim da 6×1 |
|---|---|---|
| 6×2: dias no mês | cerca de 22 trabalhados e 8 de folga | em regra, segue com 2 folgas por ciclo, sujeita a regulamentação |
| 5×1: dias no mês | 25 trabalhados e 5 de folga | tende a mudar: 1 folga a cada 6 dias fica abaixo de 2 por semana |
| 4×2: dias no mês | 20 trabalhados e 10 de folga | em regra, mantém a rotina |
| Jornada semanal | até 44 horas | 42 horas e depois 40 horas |
| Hora extra | o que passar do limite, com adicional | passa a contar a partir do novo limite |
| Salário | mensal fixo | não pode cair |
A escala 5×1 é a mais pressionada, porque o trabalhador tem uma folga a cada seis dias e, na média, trabalha quase seis dias por semana. É a que mais se parece com a antiga 6×1. A 6×2 e a 4×2 já dão duas folgas no ciclo, mas a forma como o texto será aplicado a elas depende de regulamentação e de acordo coletivo.
Exemplo de rotina (valores inventados, só para ilustrar)
Um operador de fábrica na escala 6×2 trabalha hoje de segunda a sábado, das 6h às 14h20 (com 1 hora de almoço), e folga 2 dias seguidos. No ciclo de 8 dias são 6 dias de trabalho.
Um vigilante na escala 5×1 entra às 7h e sai às 15h20 por cinco dias e folga no sexto. Depois da mudança, a empresa pode ter de reorganizar o rodízio para garantir mais descanso, por exemplo passando para 5×2 ou criando uma folga extra por ciclo.
(Foto: Craig Adderley / Pexels)
Impacto prático no seu bolso e na sua rotina
Como o salário não pode diminuir, a hora de trabalho passa a valer mais. Exemplo com salário de R$ 2.200: com 44 horas semanais, a hora vale R$ 10,00 (2.200 dividido por 220). Com 40 horas semanais, a hora vale R$ 11,00 (2.200 dividido por 200).
A hora extra com 50% de adicional sobe de R$ 15,00 para R$ 16,50 nesse exemplo. Em cada hora a mais que a empresa pedir, o valor é maior do que antes.
Na prática, a empresa pode cumprir a regra de três jeitos: reduzir a jornada diária, dar mais folgas no ciclo ou contratar mais gente para cobrir os turnos. O trabalhador não deve aceitar que a redução de horas venha acompanhada de corte no contracheque. Se isso acontecer, veja nosso artigo sobre como ficam as escalas 6×2, 5×1 e 4×2.
Quem faz escala 12×36 pode comparar com a nossa matéria escala 12×36 antes e depois do fim da 6×1. Para o quadro geral, leia PEC do fim da 6×1: o que muda.
Seus direitos atuais
Enquanto as novas regras não entram em vigor, valem as atuais. O limite continua sendo 8 horas por dia e 44 horas por semana, salvo compensação prevista em acordo ou convenção. O que passar disso é hora extra com adicional mínimo de 50%.
Escalas diferentes da 5×2 costumam depender de acordo ou convenção coletiva. Confira o que está escrito no seu documento e se a empresa cumpre. Também continuam valendo o intervalo para descanso e refeição e o descanso semanal remunerado.
Guarde seus registros de ponto, escalas de folga e holerites. Eles são a prova principal se algum dia for preciso cobrar. Se a empresa não pagar o que passou da jornada, veja horas extras não pagas: o que fazer.
(Foto: EqualStock IN / Pexels)
Perguntas frequentes
A escala 6×2 acaba com o fim da 6×1?
Em regra, não acaba de imediato. Ela já tem duas folgas no ciclo, mas a jornada semanal terá de respeitar o novo limite e o ajuste fino depende de regulamentação e de acordo coletivo.
A escala 5×1 vai mudar?
É a mais provável de mudar, porque dá uma folga a cada seis dias. A empresa deve reorganizar o rodízio para garantir mais descanso, mas o formato exato depende de regulamentação.
Meu salário pode diminuir por causa da nova jornada?
Não. O texto veda a redução de salário em razão da mudança de jornada, tanto na fase de 42 horas quanto na de 40 horas.
A folga precisa ser no domingo?
O texto diz que um dos dois descansos deve ocorrer preferencialmente aos domingos. “Preferencialmente” significa que há espaço para exceções, principalmente em atividades que funcionam todos os dias.
Meu sindicato pode negociar outra escala?
Sim, acordos e convenções coletivas podem ajustar a distribuição da jornada e as compensações, desde que o trabalhador mantenha os dois dias de descanso previstos.
Quanto você tem a receber?
Se a empresa deixou de pagar horas extras ou mexeu na sua escala de forma irregular, faça a conta. Use a nossa calculadora gratuita de rescisão trabalhista e, se tiver dúvida, fale com o escritório Nakahashi Advogados.



