Em maio de 2026, a Câmara dos Deputados aprovou com larga maioria a PEC que coloca fim à escala 6×1. A jornada máxima cai de 44 para 40 horas semanais. O resultado foi claro: 461 votos a favor e apenas 19 contrários.
Agora o texto segue para o Senado, onde precisa ser aprovado em dois turnos para virar emenda constitucional.
Mas além do debate político, o trabalhador precisa entender o que essa mudança significa na prática: o que muda no dia a dia, quando começa a valer, quem está incluído e o que fazer se a empresa não cumprir as novas regras.
O Que é a Escala 6×1 e Por Que Ela Existe
A escala 6×1 é um regime de trabalho em que o empregado trabalha seis dias consecutivos e folga um dia. Ela é permitida pela Constituição Federal de 1988, que fixou a jornada máxima em 44 horas semanais.
Na prática, quem trabalha em 6×1 geralmente não tem sábado ou domingo de folga, o que compromete a vida pessoal, o tempo com a família e o descanso efetivo. Os setores mais afetados incluem o comércio varejista, supermercados, fast food, hospitais, segurança e hotéis.
O Que a PEC Aprovada pela Câmara Prevê
A PEC modifica a Constituição Federal para alterar o inciso XIII do artigo 7º. O texto aprovado pela Câmara estabelece:
- Redução da jornada semanal máxima de 44 para 40 horas, sem redução de salário. A empresa que reduzir o salário alegando a diminuição da jornada estará descumprindo a Constituição.
- Garantia de dois dias de descanso semanal remunerado para cada cinco dias trabalhados. Isso elimina o modelo 6×1 de forma direta.
- Período de transição escalonado: sessenta dias após a publicação da emenda, a jornada cai de 44 para 42 horas e o trabalhador já tem dois dias de folga por semana. Quatorze meses depois, a redução final para 40 horas é implementada.
- Possibilidade de jornadas diferenciadas, mediante negociação, para trabalhadores com nível superior que recebam acima de determinado patamar salarial.

Quem Será Afetado pela Mudança
A mudança afeta diretamente todos os trabalhadores regidos pela CLT que hoje operam em escala 6×1 — dezenas de milhões de pessoas no Brasil. Os setores que mais sentirão o impacto: comércio de rua e shopping, supermercados, redes de restaurantes, hospitais, clínicas e farmácias, empresas de vigilância e hotéis.
Trabalhadores autônomos formalizados como MEI ou em regime PJ não são regidos pela CLT e não são diretamente alcançados pela mudança. Se você trabalha como PJ mas desempenha função com características de vínculo empregatício, vale avaliar se esse enquadramento é legítimo.
O Que Acontece Enquanto a PEC Está no Senado
Enquanto a PEC não é aprovada pelo Senado e promulgada, a regra atual continua em vigor. A escala 6×1 permanece legal, e a jornada máxima de 44 horas semanais continua sendo o limite constitucional.
No Senado, o processo exige aprovação em dois turnos, com maioria de três quintos dos votos. O trabalhador deve acompanhar o processo legislativo pelo site oficial do Senado Federal (senado.leg.br).

Seus Direitos Atuais Enquanto a PEC Não É Promulgada
Enquanto aguarda a aprovação definitiva, é importante lembrar que os direitos trabalhistas vigentes já oferecem proteção relevante para quem trabalha em escala 6×1:
- O descanso semanal remunerado é obrigatório por lei, com preferência aos domingos.
- O trabalho em feriados gera direito a adicional ou compensação — a empresa que não paga o dobro está descumprindo a lei.
- As horas extras realizadas além da jornada contratual devem ser pagas com adicional mínimo de 50%.
- O intervalo intrajornada não concedido integralmente deve ser pago como hora extra, conforme a Súmula 437 do TST.
Para conhecer em detalhe os direitos que você já tem hoje na escala 6×1, leia: Escala 6×1: Quais São Seus Direitos Hoje.
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O Que Fazer Se a Empresa Descumprir as Novas Regras Após a Aprovação
Quando a PEC for promulgada, as empresas terão sessenta dias para adequar as escalas. Se a empresa ignorar a mudança e continuar escalando o trabalhador em 6×1, o empregado terá direito a cobrar as horas excedentes como horas extras, com adicional mínimo de 50%.
O descumprimento pode ser denunciado ao Ministério do Trabalho e Emprego. Em caso de demissão em represália à reclamação, a dispensa pode ser questionada judicialmente.
Conclusão
O fim da escala 6×1 é uma das mudanças trabalhistas mais importantes das últimas décadas no Brasil. Mas a aprovação na Câmara é apenas o primeiro passo — o processo ainda está em andamento.
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Perguntas Frequentes
A PEC já está valendo?
Não. Ainda precisa ser aprovada pelo Senado em dois turnos. Somente após a promulgação pelo Congresso Nacional as novas regras entram em vigor.
Quem trabalha em escala 6×1 vai receber o mesmo salário?
Sim. A PEC proíbe qualquer redução salarial decorrente da diminuição da jornada.
Quando começa a valer na prática?
Sessenta dias após a promulgação, a jornada cai para 42 horas e o trabalhador já tem dois dias de folga. Quatorze meses depois, a redução para 40 horas é implementada.
Trabalhadores PJ também são beneficiados?
Não diretamente. A mudança se aplica aos trabalhadores regidos pela CLT.
O que acontece se minha empresa não cumprir as novas regras?
As horas trabalhadas além da nova jornada devem ser pagas como horas extras, com adicional mínimo de 50%. A empresa também pode ser autuada pelo Ministério do Trabalho.
