O Senado deu esta semana um passo que pode acelerar o fim da escala 6×1 no Brasil. Na sexta-feira, dia 21 de agosto, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, encaminhou a PEC 221/2019 para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O senador Omar Aziz (PSD-AM) foi designado relator da proposta.
A notícia interessa direto ao bolso de milhões de trabalhadores que hoje cumprem seis dias seguidos de trabalho por apenas um de descanso, como ocorre em comércio, segurança, indústria e serviços. Se aprovada, a mudança pode reduzir a jornada máxima e garantir mais dias de folga sem cortar salário.
O que aconteceu no Senado
A PEC do fim da escala 6×1 já tinha sido aprovada pela Câmara dos Deputados em 27 de maio. Desde então, ficou parada aguardando definição de rito no Senado.
Alcolumbre optou por não levar o texto direto ao plenário e determinou que ele passasse antes pelas comissões. Agora, com o envio à CCJ e a escolha do relator, a proposta ganha um caminho mais claro de tramitação.
(Foto: Kampus Production / Pexels)
Líderes do governo já sinalizaram interesse em levar o texto a votação ainda neste segundo semestre, dentro dos períodos de esforço concentrado do Congresso. Mas quem defende mais tempo de debate quer empurrar a decisão para depois das eleições de 2026.
O que diz a proposta da PEC
O texto altera o artigo 7º da Constituição para reduzir a jornada máxima de trabalho para 40 horas semanais, hoje fixada em 44 horas pela CLT. Também garante dois dias de repouso semanal remunerado, e não apenas um como acontece na escala 6×1.
O ponto que mais chama atenção dos trabalhadores é a garantia expressa de que a mudança deve ocorrer sem qualquer corte salarial. Ou seja, quem hoje recebe por 44 horas semanais não pode ter o salário reduzido proporcionalmente às 40 horas.
Por ser uma emenda constitucional, o texto precisa de três quintos dos votos do Senado, o equivalente a 49 senadores, aprovados em dois turnos de votação. É um quórum mais alto que o de um projeto de lei comum, o que explica a demora na tramitação.
Impacto prático para quem trabalha na escala 6×1
A escala 6×1 é comum em setores como varejo, supermercados, segurança privada, limpeza, telemarketing e parte da indústria. Trabalhadores nesses segmentos costumam relatar cansaço acumulado, pouco tempo para a família e dificuldade de conciliar o único dia de folga com consultas médicas ou resolução de assuntos pessoais.
Se a PEC avançar, a expectativa é que categorias inteiras passem a ter dois dias seguidos ou intercalados de descanso, sem perder um centavo do salário atual. Empresas que hoje organizam escalas em torno do modelo 6×1 precisariam se reorganizar, o que pode significar contratação de mais funcionários para cobrir os turnos.
(Foto: Vitaly Gariev / Pexels)
Vale lembrar que a PEC ainda não é lei. Enquanto a tramitação segue no Senado, a escala 6×1 continua legal para quem tem essa jornada prevista em convenção coletiva ou acordo específico do setor.
Seus direitos hoje, enquanto a PEC não é aprovada
Mesmo antes da PEC virar realidade, o trabalhador que cumpre escala 6×1 já tem direitos garantidos pela CLT que muita empresa não respeita.
O intervalo intrajornada de pelo menos uma hora para jornadas acima de seis horas diárias é obrigatório, e sua supressão total ou parcial gera pagamento como hora extra. Quem trabalha à noite tem direito ao adicional noturno de 20% sobre a hora normal.
Se a empresa mudar sua escala de folgas sem negociação prévia ou de forma unilateral e prejudicial, isso pode configurar falta grave do empregador e abrir caminho para pedir rescisão indireta, que é quando o próprio trabalhador “demite” a empresa e recebe todas as verbas como se tivesse sido demitido sem justa causa.
Trabalhar além da jornada contratada também gera direito a hora extra com adicional mínimo de 50%. Se isso não é pago corretamente, o trabalhador pode cobrar na Justiça do Trabalho mesmo depois de desligado da empresa, respeitado o prazo prescricional.
Para entender melhor o que já vale hoje na escala 6×1 e como identificar se sua folga está sendo respeitada, veja nosso guia completo sobre direitos do trabalhador na escala 6×1. Também detalhamos o histórico da proposta no artigo sobre o que muda com o fim da escala 6×1.
Perguntas frequentes
A escala 6×1 já acabou?
Não. A PEC ainda precisa ser aprovada na CCJ do Senado e depois pelo plenário, em dois turnos, com pelo menos 49 votos favoráveis em cada um. Até lá, a escala 6×1 continua valendo onde está prevista em convenção coletiva.
Quando a PEC pode ser votada?
Não há data confirmada. Lideranças do governo mencionam a possibilidade de votação ainda neste segundo semestre de 2026, mas parte do Senado defende adiar a decisão para depois das eleições.
Se a PEC passar, o salário pode ser reduzido?
Não. O texto prevê expressamente que a redução da jornada para 40 horas semanais e a garantia de dois dias de folga não podem resultar em corte de salário.
Quem trabalha 6×1 hoje pode reclamar de alguma coisa?
Sim. Direitos como intervalo intrajornada, adicional noturno e pagamento correto de horas extras já são obrigatórios pela CLT, independentemente da aprovação da PEC.
A escala 6×1 é ilegal?
Não necessariamente. Ela é legal quando está prevista em convenção ou acordo coletivo da categoria. O problema aparece quando a empresa impõe a escala sem previsão coletiva ou desrespeita os intervalos e adicionais devidos.
O que fazer se a empresa não respeitar meus intervalos ou minha folga?
O primeiro passo é reunir provas, como registros de ponto, mensagens e testemunhas. Depois, é possível procurar o sindicato da categoria ou um advogado trabalhista para avaliar se cabe cobrança de horas extras ou até rescisão indireta.
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