PEC da Escala 6×1: Votação no Senado É Adiada, Veja Quando Será e Seus Direitos

A expectativa era de que o Senado votasse nesta semana a proposta que acaba com a escala 6×1, mas a sessão marcada para 2 de setembro não avançou. Um movimento organizado pela oposição esvaziou o plenário e tirou do governo a segurança dos votos necessários para aprovar a mudança. Agora a matéria só deve voltar a votação na segunda semana de outubro, depois do primeiro turno das eleições municipais.

Para quem cumpre jornadas longas ou trabalha um dia sim, um dia não sem folga adequada, entender o que já mudou (e o que ainda não mudou) é essencial para saber quais direitos cobrar hoje, sem esperar o resultado da votação.

Plenário do Senado durante sessão de votação

(Foto: raksasok heng / Pexels)

O que já aconteceu com a PEC 221/2019

A proposta que acaba com a escala 6×1 tramita no Senado como PEC 221/2019 e já passou por etapas relevantes. Em 2 de setembro, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou o parecer do relator Omar Aziz, mantendo o texto que veio da Câmara dos Deputados. A votação na comissão teve 27 senadores presentes e apenas quatro votos contrários.

Com o aval da CCJ, a proposta seguiu para o Plenário do Senado, etapa final antes de se tornar emenda constitucional. Foi justamente aí que a votação travou.

Por que a votação foi adiada

Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição, a PEC 221/2019 precisa do apoio de três quintos dos senadores, ou seja, 49 votos, e isso em dois turnos de votação separados. É um número alto, que exige presença em massa no plenário.

Na tentativa de votação, senadores da oposição, entre eles Rogério Marinho (PL-RN) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), organizaram uma ação para esvaziar a sessão. Sem quórum qualificado, seguir com a votação era arriscado demais para o governo, que preferiu adiar a correr o risco de uma derrota.

O líder do governo no Senado, Randolfe Rodrigues, reconheceu a derrota de articulação naquele dia, mas garantiu que a matéria será votada até o fim de outubro. A ideia é tentar aprovar antes do primeiro turno das eleições, em 4 de outubro, com uma segunda chance prevista para a segunda semana do mês, caso a primeira tentativa não seja suficiente.

O que muda se a PEC for aprovada

O texto aprovado na CCJ reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, sem redução de salário. Também garante repouso semanal remunerado de dois dias, sendo um deles preferencialmente aos domingos.

A mudança não seria imediata. O texto prevê uma transição em duas etapas: dois meses depois da publicação da emenda, a jornada cai para 42 horas semanais. Um ano e dois meses depois disso, chega a 40 horas.

Calendário representando o cronograma de transição da jornada de trabalho

(Foto: Matheus Bertelli / Pexels)

A oposição já apresentou uma proposta alternativa, que mantém a escala 6×1 como opção e deixa a negociação sobre o formato da jornada para acordo direto entre trabalhador e empresa. Esse é o ponto que deve concentrar o debate quando a votação for retomada.

O que isso muda para você agora

Enquanto a PEC não for aprovada nos dois turnos do Plenário e promulgada, nada muda na prática. A jornada de 44 horas semanais e a escala 6×1, quando aplicada corretamente, continuam valendo como estão hoje.

Isso significa que, se você trabalha em escala 6×1, seus direitos atuais continuam os mesmos: descanso semanal remunerado, limite de jornada diária e pagamento de horas extras quando a empresa exige mais do que o previsto em lei ou em convenção coletiva.

Vale ficar atento, porque muitas empresas já usam a escala 6×1 de forma irregular, sem respeitar o intervalo entre jornadas ou sem pagar corretamente as horas extras. Se isso acontece com você, veja como identificar horas extras não pagas e o que fazer, e desconfie de bancos de horas fora da lei.

Trabalhador conferindo horário em relógio no ambiente de trabalho

(Foto: cottonbro studio / Pexels)

Direitos que você já pode cobrar hoje

Independente do resultado da PEC, a CLT já garante um conjunto de proteções para quem trabalha em jornadas longas ou em escalas como a 6×1:

  • limite de 44 horas semanais e 8 horas diárias, salvo acordo de compensação;
  • intervalo mínimo de 11 horas entre o fim de um turno e o início do outro;
  • descanso semanal remunerado de pelo menos 24 horas consecutivas;
  • pagamento de horas extras com adicional de, no mínimo, 50% sobre o valor da hora normal;
  • prazo de até 2 anos após o fim do contrato para cobrar diferenças na Justiça do Trabalho.

Esse prazo de 2 anos é o prazo prescricional trabalhista e vale tanto para quem ainda está empregado quanto para quem já saiu da empresa. Depois desse período, o direito de cobrar diferenças na Justiça se perde, então vale conferir a tempo se ainda dá para cobrar horas extras depois da demissão.

Perguntas frequentes

A escala 6×1 já acabou?
Não. A escala 6×1 continua permitida hoje. A PEC 221/2019 ainda precisa ser aprovada em dois turnos no Plenário do Senado e, depois, promulgada, para valer.

Quando será a nova votação da PEC da escala 6×1?
O governo pretende levar a proposta ao Plenário antes do primeiro turno das eleições, em 4 de outubro, ou na segunda semana de outubro, caso a primeira tentativa não aconteça.

Quantos votos a PEC precisa para ser aprovada?
Como é uma emenda constitucional, precisa de 49 votos (três quintos dos 81 senadores) em cada um dos dois turnos de votação no Plenário.

Quem trabalha 6×1 hoje tem direito a alguma coisa?
Sim. Mesmo sem a PEC aprovada, a lei já garante descanso semanal remunerado, limite de jornada e pagamento de horas extras quando a empresa ultrapassa o limite legal.

A jornada de 40 horas vale a partir de quando, se a PEC for aprovada?
Não seria imediata. O texto prevê 42 horas semanais dois meses após a publicação da emenda, chegando a 40 horas um ano e dois meses depois.

O que fazer se a empresa não respeita meus direitos na escala atual?
Vale reunir provas, como escalas de trabalho, mensagens e contracheques, e procurar orientação de um advogado trabalhista antes que o prazo prescricional passe.

Fale com quem entende do assunto

Se você já foi ou está sendo prejudicado por jornada excessiva, banco de horas irregular ou horas extras não pagas, não é preciso esperar a PEC ser aprovada para agir. Use a calculadora gratuita de rescisão trabalhista do Nakahashi Advogados e veja quanto você pode ter direito a receber. Depois, fale com o escritório e entenda os próximos passos para cobrar o que é seu.

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