Um caso julgado pelo TST está dando o que falar. A 3ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho manteve a condenação da Toyota ao pagamento de R$ 238 mil de indenização por danos morais a um líder de equipe que, segundo as reportagens do portal Migalhas e do ND Mais, sofreu assédio moral e ofensas xenofóbicas de um subordinado na fábrica de São Bernardo do Campo, em São Paulo. Testemunhas relataram que o agressor chamava o chefe de “rato” e dizia que “nordestino não estava preparado para ser chefe”.
O caso chama atenção por dois motivos: o assédio partiu de um subordinado contra o chefe, o chamado assédio moral ascendente, e a empresa foi condenada justamente por ter se omitido. Se você já foi humilhado no trabalho e ouviu que “não dá para fazer nada”, este julgamento mostra o contrário.
O que aconteceu no caso da Toyota, segundo as reportagens
De acordo com as matérias publicadas pelo Migalhas e pelo ND Mais, que citam informações do próprio TST, o trabalhador atuou por cerca de 20 anos na montadora. Os problemas teriam se intensificado a partir de 2014, quando ele assumiu a liderança de uma equipe e um técnico subordinado passou a desrespeitar sua autoridade com ofensas constantes.
- O líder apresentou laudos e atestados médicos emitidos entre 2014 e 2016, inclusive por profissionais indicados pela própria empresa, apontando quadro de depressão grave ligada aos conflitos no trabalho;
- Ele comprovou ter registrado 15 reclamações internas ao longo de dois anos, sem solução;
- Testemunhas afirmaram que o agressor demonstrava preconceito contra nordestinos e pessoas negras;
- A perícia acolhida pelo juízo concluiu pelo nexo entre as ofensas e o adoecimento;
- Segundo as reportagens, após transferir a vítima de setor, a empresa a dispensou e manteve o agressor no quadro.
A Toyota se defendeu no processo. Alegou que a depressão não teria relação com o trabalho, por envolver estados emocionais que podem decorrer de vários fatores da vida pessoal, e negou ter submetido o empregado a pressão capaz de comprometer sua saúde. Os argumentos não foram acolhidos pela maioria da 3ª Turma.
Ao votar pela manutenção da indenização, o ministro Mauricio Godinho Delgado destacou a inércia da empresa diante do assédio, da xenofobia e do agravamento da saúde do trabalhador. O julgamento foi por maioria: o relator, ministro Alberto Bastos Balazeiro, ficou vencido ao propor a redução do valor para R$ 130 mil.

O que esse caso ensina sobre os seus direitos
A lição mais importante do julgamento: a empresa responde pelo ambiente de trabalho que mantém. Não importa se a humilhação parte do chefe, de um colega do mesmo nível ou até de um subordinado. Se a empresa sabe e não age, ela responde. Veja o que isso significa para você:
- Assédio moral é a exposição repetida a humilhações, ofensas e constrangimentos no trabalho, e gera direito a indenização;
- Ofensas ligadas à origem, como piadas e ataques contra nordestinos, configuram xenofobia e agravam a conduta;
- O assédio pode ser descendente (chefe contra empregado), horizontal (entre colegas) ou ascendente (subordinado contra chefe), e todos geram responsabilidade;
- Reclamações internas ignoradas viram prova poderosa da omissão da empresa;
- Adoecimento mental ligado ao trabalho, como depressão e burnout, pode gerar indenização e outros direitos, como estabilidade em alguns casos.
Como reunir provas se você vive situação parecida
O trabalhador do caso venceu porque documentou tudo. Siga o mesmo caminho:
- Registre por escrito cada episódio: data, local, o que foi dito e quem presenciou;
- Formalize denúncias nos canais internos (RH, ouvidoria, e-mail) e guarde os protocolos;
- Guarde mensagens, áudios e e-mails ofensivos;
- Procure atendimento médico ou psicológico e guarde atestados e receitas, pois eles documentam o impacto na sua saúde;
- Identifique colegas que possam confirmar os fatos como testemunhas.
Com esse material, é possível buscar indenização por danos morais e, em casos graves, a rescisão indireta, aquela em que você “demite” a empresa e sai com todos os direitos de uma dispensa sem justa causa. Desde 2025, a atualização da NR-1 também obriga as empresas a gerenciar riscos psicossociais, o que reforça a responsabilidade delas na prevenção do assédio. Entenda mais nos nossos artigos sobre indenização por assédio moral, o que fazer quando você é humilhado no trabalho e a NR-1 e a saúde mental no trabalho.
Quanto vale uma indenização por assédio moral?
Não existe tabela fixa. O valor depende da gravidade, da duração, da capacidade financeira da empresa e do dano causado. Nas reportagens sobre o caso da Toyota, o próprio TST debateu isso: a maioria manteve R$ 238 mil considerando a gravidade e o porte da empresa, enquanto o relator defendia R$ 130 mil. Casos mais simples resultam em valores menores, mas a mensagem é clara: a Justiça do Trabalho leva o assédio a sério, e a omissão da empresa pesa contra ela.
Fique atento ao prazo: você tem 2 anos após o fim do contrato para agir, e a ação alcança os últimos 5 anos de direitos. Muitos trabalhadores perdem indenizações expressivas simplesmente por deixar o prazo passar.
Perguntas frequentes
Preciso pedir demissão para processar por assédio?
Não. Você pode processar durante o contrato, após a demissão ou pedir a rescisão indireta, saindo com todos os direitos.
Denunciei ao RH e nada aconteceu. Isso me ajuda no processo?
Ajuda muito. A denúncia ignorada prova que a empresa sabia e se omitiu, exatamente o que pesou contra a Toyota segundo as reportagens.
Sofri assédio de um colega, não do chefe. A empresa responde?
Sim. A empresa responde pelo ambiente de trabalho, inclusive por atos de colegas e subordinados, quando sabe e não impede.
Piada com sotaque e origem é mesmo xenofobia?
Ofensas repetidas ligadas à origem regional configuram discriminação e agravam a indenização. Não é “brincadeira”, é violência.
Depressão causada pelo trabalho gera algum direito além da indenização?
Pode gerar. Reconhecida como doença ocupacional, abre caminho para estabilidade de 12 meses e outros direitos previdenciários.
Quanto tempo demora um processo desse tipo?
Varia, mas boa parte dos casos termina em acordo bem antes da sentença. O importante é ter provas organizadas.
Você não precisa aguentar calado
Se você está sendo humilhado no trabalho ou adoeceu por causa disso, comece agora: organize suas provas e simule o que você teria a receber numa saída da empresa com a nossa calculadora gratuita de rescisão trabalhista.
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